Evolução e Compaixão
<english version>
Desde tempos imemoriais a humanidade tem procurado pelo sentido da vida e por um entendimento da natureza e da realidade. Durante o ultimo século essa busca tem sido feita quase exclusivamente olhando para o mundo material. No entanto, sendo o tempo em si o melhor dos professores, para quem presta atenção, aos poucos nota-se já que as pessoas começam a entender que as respostas a essas perguntas estarão dentro de nós, e não nas regras e formulas matemáticas que regem o mundo material.
Desde tempos imemoriais a humanidade tem procurado pelo sentido da vida e por um entendimento da natureza e da realidade. Durante o ultimo século essa busca tem sido feita quase exclusivamente olhando para o mundo material. No entanto, sendo o tempo em si o melhor dos professores, para quem presta atenção, aos poucos nota-se já que as pessoas começam a entender que as respostas a essas perguntas estarão dentro de nós, e não nas regras e formulas matemáticas que regem o mundo material.
Passaram já cerca de 2500 anos desde que o Buddha disse que o caminho para a felicidade e liberdade é: "desenvolve as virtudes, abandona a maldade, desenvolve mestria da tua mente", e, "o teu eu-ego é ilusório, e o apego a esse 'eu' ilusório é a raiz de todos os problemas" - isto essencialmente pode dizer-se que é a essência, o coração e a força vital do caminho espiritual, e não somente no Budismo.
Eu acho que hoje em dia em particular esta mensagem e ensinamentos são de importância crucial! Neste mundo e sociedade onde se desenvolve o egoísmo e competitividade, materialismo e onde sucesso é medido pela quantidade de coisas que a pessoa consegue 'construir', 'acumular', 'fazer' e 'desenvolver', em termos de coisas materiais, riqueza, fama, reputação e coisas desta natureza. Esta sociedade está aprisionada numa contradição impossível, e profundamente doente - Sofrendo de uma doença do espírito. Esta contradição é entre dois polos: por um lado são as ideias de sucesso e crescimento como mencionei acima, e por outro lado o desejo de paz, felicidade e bem-estar. A luta constante por riqueza material e por 'sucessos exteriores', e o desejo de encontrar de paz e bem-estar autênticos encontram-se em direcções opostas. Isto é conflito. Neste mundo de recursos limitados, o sucesso material de um, é a perda de outro. Para alguém ganhar, alguém tem de perder. E assim estamos em permanente luta, conflito.
Do meu ponto de vista, e do ponto de vista da mensagem de todas as grandes tradições espirituais, o verdadeiro sucesso é o sucesso de encontrar contentamento e paz-interior, que vem de descobrir a nossa verdadeira natureza.
Como já tinha falado um pouco num outro texto (Janelas Infinitas), eu defendo que a única forma saudável e natural para os problemas da humanidade é o retomar da nossa natureza espiritual. Não como um ideal, palavras vazias, cliches e frases feitas ou postagens bonitas no facebook - mas como uma forma de vida autentica.
Fundamentalmente, e isto é difícil de evitar, o problema é esta 'mente'. Esta mente distraída, contraditória, inconsciente e perturbada que está constantemente envolvida consigo própria e com as suas fantasias. Esta mente que não sabe qual é a sua verdadeira condição e natureza, e por isso se encontra perdida numa projecção de uma 'identidade condicionada' e limitada. É mesmo daí, dessa 'identidade falsa' que todo o apego, ira, ódio, ganância se manifestam. É esta mente que se acha até mais inteligente que a própria natureza, tal a dimensão da confusão.
É natural pensar - "mas eu tenho tantos problema na minha vida, e coisas que são tão difíceis de lidar, como me posso estar a preocupar com os problemas da humanidade e essas questões tão grandes?". No entanto, se observamos um pouco torna-se claro que os meus problemas, em geral, não são assim tão diferentes dos problemas que outras pessoas têm. Em geral, mais ou menos, a humanidade partilha da mesma situação e problemas semelhantes. Se observamos e compreendemos isto, torna-se possível levantar o nosso rosto e olhar em volta, respirar, e compreender que fundamentalmente estamos todos debaixo do mesmo céu.
Se vamos mesmo directamente até á raiz dos problemas que afectam a todos, então podemos ajudar-nos a nós próprios, mas também os outros em nossa volta. Esta compreensão é o nascer da verdadeira compaixão.
Para aqueles que têm um interesse sério e genuíno neste tipo de viagem e evolução, evolução pessoal e global, para uma situação onde todos nós temos menos problemas, então temos de começar de alguma forma. E temos de começar por nós próprios! Não podemos mudar o mundo através de acção directa no mundo exterior, isso seria um acto de violência! Da mesma forma não podemos forçar a nossa mente a mudar de forma 'forçada', isso também é violência e raramente produz algum resultado - o caminho é evolução através de entendimento, realização directa e experiência interior. O que podemos fazer é evoluir, cada individuo pode evoluir, e ao evoluir pode partilhar, dar testemunho e mostrar por exemplo. Desta forma, á medida que cada individuo se cura a si próprio, o mundo também se cura.
Podemos encontrar neste mundo muitas tradições espirituais de grande valor, e cada um sentirá que é chamado para uma certa direcção. No entanto, do ponto de vista da minha experiência pessoal e da minha partilha, eu sinto que não existe forma melhor e mais eficaz de fazer esta evolução do que os caminhos de 'não-dualidade'. Existem várias expressões deste caminho de não-dualidade, e na essência apontam todos para o mesmo principio. No entanto, em particular, por exemplo, aprendendo, desenvolvendo e aplicando os ensinamentos e forma de vida da tradição milenar de Atiyoga. Estas são formas fantásticas de cortar directamente á raiz das nossas confusões, medos e cortar a raiz deste 'eu-ego' ilusório. Através de Dzogchen, que é a nossa verdadeira natureza, a presença pura e total, podemos evoluir de facto para seres humanos totalmente 'presentes' e conscientes, e desta forma deixamos de ser parte do problema e começamos a ser parte da solução.
Por exemplo, através desta descoberto, vamos reformular e mudar de forma radical a forma de ver o mundo e a nós próprios. Desde os aspectos de conduta e meditação, a presença espontânea em si, tudo se torna num processo de cura interior desta doença do espírito, não só para nós próprios mas também para o ambiente, o mundo e as pessoas em nossa volta. Oferece uma forma de ver para além deste 'ego congelado e rígido', e de conectar de forma diferente com o universo e os seres em nossa volta, uma forma de conectar que é muito mais integral, salutar e curativa.
Quando este caminho é integrado com os ensinamentos de Atiyoga, que revela a totalidade e verdadeira natureza do nosso ser, integrando essa sabedoria em todos os aspectos da vida, então a nossa existência neste mundo torna-se de facto significativa. Torna-se significativa não porque acumulamos grandes bens materiais ou grandes feitos que nos tornam famosos, mas significativa porque nos curamos desta doença do ego-ilusório, livres da doença de desperdiçar a vida em distracções e actividades sem sentido - significativa porque nos tornamos parte da evolução de todos os seres. Isto é uma vida com sentido.
com amor , Aja Das
