Janelas Infinitas Paradigmas do Inconcebível



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Janelas Infinitas
Paradigmas do Inconcebível
Um ensaio sobre o panorama religioso e espiritual no mundo moderno


Tem sido um espírito de curiosidade e exploração que tem levado o Homem numa busca continua nas mais variadas frentes. De toda esta busca e exploração, o aspecto que tem gerado mais polémica, e também mais paixão, é sem duvida a busca por compreender a natureza do Ser, e da própria existência. Este artigo não é uma tentativa de dar respostas para essa busca, mas é uma tentativa de enquadrar esta busca num contexto mais vasto. É também uma tentativa de estabelecer uma base viável para se compreender a natureza dessa busca.
Esta exploração surge também como o resultado de observar as muitas variadas linhas ideológicas que estão a circular hoje, em particular no mundo ocidental, em relação ao tema da espiritualidade e religião. Linhas estas que vão desde o crente mais fundamentalista, até ao ateu mais extremo e materialista cientifico. Perguntas como, "porque é que algumas pessoas 'espirituais' estão sempre a falar de um estado abstracto 'para além da mente', e o que isso significa?", e "O que acontece depois da morte?".. e as velhas perguntas, "Existe Deus, ou deuses?".. "O Ser e o Absoluto, são o mesmo ou não?".. até á pergunta muito comum "Porque é que isto importa para a vida do dia a dia?"

Homo Spiritualis

Asserção: O ser humano é por natureza uma criatura espiritual. Nem toda a gente é religiosa, e nem toda a gente é um praticante espiritual activo, mas todo o ser humano é espiritual. Digo isto porque desde o momento em que alguém tem uma pergunta, duvida ou pensamento como seja: "Qual é a razão de tudo isto? O que acontece depois da morte? Quem sou Eu? Qual é a natureza da consciência  e da existência? A realidade é só isto ou existe algo mais? Deus existe? etc.", essa pessoa está já a movimentar-se devido a essa natureza espiritual para ter essas questões. Questões desta natureza não só são comuns, mas naturais. É a minha visão que todo o ser humano tem o potencial para estas perguntas presente na sua mente. É certo que para alguns estas questões são mais importantes, muito presentes e assumem um papel de grande importância, enquanto que para outros podem ser apenas um pensamento fugaz, rapidamente posto de lado. Mas continuo a manter que toda a gente os tem. Ter estas perguntas e pensamentos é a natureza da espiritualidade, e faz parte da natureza do ser humano.
No entanto quero ir mais longe ainda. Quero também dizer que todo o ser humano, por natureza, tem um sentido que existe uma dimensão espiritual para a vida, para o mundo e fundamentalmente para o universo. Com isto quero dizer que uma posição onde se rejeita e nega a dimensão espiritual, e em geral tudo o que é metafisico, é um desenvolvimento que ocorre mais tarde, durante o desenvolvimento da pessoa. 
Esta rejeição da dimensão espiritual do Ser desenvolve-se como uma idea que se forma devido a diversos factores como educação, cultura, influencias sociais etc. No entanto mantenho que este 'sentido do espiritual e místico' é inato, e nunca se perde, independentemente de que ideias se assumem ao longo da vida. Existe quem diga que este desenvolvimento de rejeitar a natureza espiritual é algo de positivo, que é o resultado de educação e avanços científicos. A historia será finalmente quem poderá julgar, mas esta fase materialista parece-me ser apenas mais um estágio no crescimento do Homem, e penso que não será lembrado como um dos melhores momentos da humanidade..

A posição cientifica, assumindo uma visão puramente mecânica e materialista da realidade cria uma situação de alienação do Homem em relação a tudo, e a si mesmo. Esta tendência moderna de aceitar a ciência como uma nova religião leva a um crescente sentido de separação. O culto dos conceitos e da razão leva a pessoa a um crescente sentir de ser algo separado, separado de si própria e da vida. O acreditar que o mundo existe 'lá fora' como algo objectivo  e independente da consciência, e que ambos o mundo e os seres humanos são elementos puramente mecânicos, diminui a todos os seres, e falha totalmente em lidar com os aspectos mais básicos da felicidade, sofrimento e da natureza da existência. A razão disto é que a mente, a consciência, não é algo mecânico e determinista sobre o qual se possa olhar como que se fosse um motor. E é neste período, onde se passa pelo crescimento tecnológico maior na historia da humanidade, que somos confrontados por níveis incríveis de depressão, ódio, frustração e descontentamento. O próximo passo na evolução do ser humano, idealmente, veria o homem a apoiar-se na ciência de um ponto de vista puramente utilitário e funcional, e voltar-se-ia a colocar a liderança onde pertence: na consciência e natureza espiritual do Homem. 


As diferentes visões que cada pessoa adopta, como sendo ateu, materialista ou crente em alguma posição religiosa manifestam-se devido a esta natureza espiritual. Deste ponto de vista, até um ateu devoto está a manifestar a sua espiritualidade. Existe quem diga que as religiões aparecem apenas como uma resposta ao medo da morte - e este argumento embora de fácil uso, é extremamente simplista e não responde ao sentido vasto e quase instintivo da humanidade em perguntar: "Quem sou Eu? O que estou aqui a fazer? etc." Perguntas que são inerentes á própria consciência, a própria natureza humana e que não se podem explicar simplesmente como medo da morte.

Uma das formas como essa paixão por descoberta se manifesta é na forma da ciência. É natural tentar compreender a natureza da existência olhando para o mundo material.  As ciências naturais aparecem para responder a perguntas tais como: "Porque é que a maçã cai para o chão e não permanece a flutuar?" E as ciências fazem um bom trabalho nesse sentido, explicando o mundo 'material', desde a física até á biologia. No entanto são incapazes de responder ás grandes perguntas relacionadas com a consciência. Podemos olhar mais a fundo para isto de duas formas diferentes.

Primeiro, podemos dizer que, embora a ciência possa explicar coisas como o porquê da maçã cair para o chão e não ficar a flutuar, podemos ainda perguntar, como uma criança, "Mas porquê? Porque é que a gravidade funciona assim?" E talvez a ciência possa responder e continuar a explicar um outro nível, explicando níveis cada vez mais subtis. No entanto, a cada etapa, podemos continuar a perguntar: "Mas porquê?" Existe um limiar que leva inevitavelmente para alem do reino do quantificável, e embora o próprio limiar possa evoluir e mudar, podemos continuar a perguntar: "Mas porquê?" E no final como pode a mente explicar-se a ela própria através de processos de análise? Não pode, tal coisa seria como uma faca cortar a sua própria lâmina.
Depois, poderíamos dizer que talvez se possa chamar a filosofia para tentar alcançar para além desse limiar. No entanto filosofia que está simplesmente focada em ideias e conceitos acerca da verdade, permanece limitada ao reino da especulação. Filosofia que permanence no reino da especulação não tem uma função soteriológica, ou seja, uma função de levar o individuo a ter uma experiência directa e uma liberdade dos limites da mente, para um conhecimento directo da realidade. E sem uma função soteriológica ideias filosóficas permanecem isso mesmo - ideias.

A Resposta

 Como uma resposta natural a este desejo de entender, as pessoas assumem 'posições' . E muitas vezes assumem uma posição sem compreender de forma consciente, mas simplesmente flutuam para um lado. Então alguns dizem que não há razão pela qual existimos, que somos simplesmente um produto da biologia e electricidade a actuar no cérebro. Desta forma assumem então uma posição puramente materialista e mecânica para responder a estas questões sobre a natureza do Ser. Neste caso nem sequer é relevante se a pessoa acredita em Deus por exemplo, porque é possível ter as duas visões ao mesmo tempo - a visão de um Deus que criou um universo puramente mecânico e material sobre o qual agora preside. No entanto em geral um materialista devoto rejeita qualquer noção de Deus  ou nível metafisico da realidade. Mas claro, como ausência de prova não é prova de ausência, materialistas ateus permanecem como sendo um grupo de fé religiosa que nunca poderá ter a certeza das suas ideias. 



Outros então assumem uma postura agnóstica - e dizem: "Eu não sei". Esta posição é uma forma de cepticismo que é em geral marcada por uma falta de interesse sobre o assunto, e acaba por ser uma forma de materialismo ateu não totalmente resolvido.
Claro que existe uma larga faixa, desde o ateu mais fundamentalista, ao mais moderado, desde o humanista focado em desenvolvimento pessoal até á atitude passiva (e talvez um pouco preguiçosa) do agnóstico.

No outro lado desta divisão, encontra-se a religião na sua forma mais ortodoxa. No extremo deste lado temos então o crente teísta mais fundamentalista e legalista, passando pelo fundamentalismo literalista  e legalista que se encontra em fieis de várias de religiões. Claro que também se encontra uma larga faixa, até ao fiel religioso mais moderado. Então enquadrando isto no contexto da busca pelas respostas á questão de  "Mas porquê?", o religioso mais ortodoxo responde simplesmente com: porque Deus o fez assim, ou porque  alguém ou algum livro diz que é assim. É uma resposta simples, directa e elimina mais 'porquês'. 

Algures no meio destes dois lados que acabamos de olhar, encontra-se um corredor central, onde encontramos o que podemos chamar de 'praticante espiritual activo', alguém que não se rende simplesmente a norma ou lei religiosa, e que não se fixa em nenhuma interpretação em particular da realidade como sendo final e ultima. 
Alguém que é movido por sentido espiritual, em busca de uma experiência directa, um 'saber' da realidade de uma forma directa. A diferença fundamental aqui, e que vou elaborar em mais detalhe mais abaixo, é que o praticante espiritual activo tem a motivação de ter uma descoberta concreta nesta vida, e considera a tradição formal religiosa como um aspecto secundário; enquanto que a pessoa religiosa, embora que possa também ter interesse em descobrir algo, coloca maior importância na forma religiosa, doutrina e tradição, ou considera esses aspectos como sendo obrigatórios para tal descoberta. Encontramos praticantes espirituais activos integrados em tradição religiosa, e fora dela. O ser humano, como ser espiritual, pode flutuar entre posições nestas linhas, e de facto podemos encontrar quem comece como sendo um devoto religioso, e a certa altura move-se para uma posição de ateu materialista, e vice-versa. E pode também assim acontecer que alguém se mova para a posição de praticante espiritual activo


O Ponto Principal

O ponto principal que vou explorar neste texto com a linha de investigação que se segue, é o seguinte:
 - Nenhum dos dois lados que falei acima pode chegar a uma resposta, e a um entendimento da natureza do Ser e da realidade. Deste ponto de vista, são todos iguais. 
Ambos os lados estão bloqueados por crenças que os limitam. Um lado é limitado pela crença que nada existe para além do que a ciência consegue observar e explicar no mundo material e mecânico, ou pelo que o pensamento e a razão conseguem entender, então qualquer tentativa é rejeitada de imediato. O outro lado é limitado por dogma acerca da natureza ultima da realidade e por regras de tradição religiosa, colocando ideias acerca da verdade e doutrina acima da experiência directa ou descoberta, por vezes até rejeitando-se tal possibilidade de todo. 

Essencialmente, fiz a asserção que todos os seres humanos possuem um sentido inato de uma 'dimensão espiritual', e que este sentido se perde devido a influencias externas. Neste texto tento explorar, do meu ponto de vista, o que vejo como sendo uma das razões principais porque isto acontece. Uma das razões principais é a dificuldade em ver que todos os modos de olhar para a realidade - são somente isso mesmo: modelos ou paradigmas. As ciências por exemplo, são modelos de interpretação da realidade, modelos que muitos hoje aceitam como sendo a verdade ultima. Mas a ciência não é o único modelo de representar e interpretar a realidade. A ciência é um modelo funcional do mundo aparente, e como tal é altamente utilitário na sua expressão, e util de um ponto de vista pratico. No entanto, é cada vez mais aparente que é muito pobre em lidar com aspectos como: felicidade e sofrimento, tudo o que tem a ver com a consciência do Ser e acima de tudo com a 'dimensão espiritual' do ser humano e muitos outros. 

O ponto de dificuldade é a visão geral que pensamentos, ideias, conceitos e razão são uma forma valida e correcta de representar a realidade e experiência humana. Como resultado, tudo o que não se enquadra no modelo normal aceite da realidade, que é em si baseado em ideias e pensamentos acerca da realidade, não é aceite como válido. 
Tento também aqui oferecer uma forma como se pode compreender que todos os paradigmas da realidade, sendo o paradigma cientifico, como qualquer modelo religioso ou de doutrina espiritual, são sempre representações parciais e limitadas, interpretações, e não são a visão ultima e total da realidade - não o podem ser, pois são só isso, interpretações baseadas em ideias.  E desta forma podemos também ver que não é necessário que os diferentes paradigmas entrem em competição uns com os outros, pois servem objectivos diferentes.

Ou seja, a ciência não necessita de competir com visões religiosas, nem diferentes visões religiosas entre si. Porque são todos modelos de interpretação de um nível de realidade que é impossível de ser conhecido através de conceitos, e cada um serve um propósito no mundo relativo do Homem. 
Vamos olhar para isto de forma concreta examinando as formas como tal realidade pode ser conhecida ou não, e depois como transferir este principio para um caminho espiritual


Então como prosseguir?


Neste ponto então chegamos á pergunta inevitável: "Como é possível saber? Será que existe tal verdade para ser descoberta?" Como disse acima, ambas a ciência e religião são em si modelos de interpretação de um nível de realidade que não é possível atingir ou conhecer usando conceitos e pensamento, e desta forma todos os modelos servem um propósito limitado no mundo relativo. Então devemos olhar para quais as formas como tal realidade pode ser conhecida. Existem duas opções:

1) Realidade, em todos os seus aspectos, pode ser conceptualizada, e como tal, pode ser compreendida na sua totalidade através de conceitos, ideias e razão. 
2) A realidade, em geral,  e em particular os aspectos de espiritualidade, está para além do reino do pensamento. 

Vamos então explorar estas duas possibilidades. Em relação ao primeiro ponto, se o aceitamos como verdade, então temos de concordar que a natureza da realidade em todos os seus aspectos, incluindo consciência e ideias como por exemplo Buddha, Deus etc., têm de poder sobreviver a um processo de análise e raciocínio. Se qualquer ideia sobre a realidade não sobrevive a um processo de análise, de acordo com o primeiro ponto, não pode ser considerado válido.
Por outro lado, se aceitamos a segunda opção, então somos forçados a concordar que qualquer ideia que alguém tem sobre a natureza ultima da realidade, Deus etc. não pode ser uma verdade ultima, porque aceitamos que a realidade ultima está para além do pensamento e conceitos. Então por exemplo, a ideia de "Deus existe", não pode ser aceite como verdade ultima, porque ambos 'Deus' e o próprio conceito de 'existe', são somente ideias no reino do pensamento. Da mesma forma, a ideia de "Deus não existe", não pode ser aceite como válida pelas mesmas razões. Este principio é representado de forma muito directa no velho Zen koan que diz: "Se vires um Buddha na estrada, mata-o.". O significado disto é que não é possível através de ideias ou conceitos saber o que é um Buddha, então se alguém pensa que aquela entidade existe e é um Buddha, tem de se transcender e eliminar a ideia do que é um Buddha da mente. 


Um Mundo conceptual, material ou nenhum dos dois?

Se tomamos então o primeiro ponto acima, que a realidade, em todos os seus aspectos, pode ser conceptualizada e pode ser compreendida na sua totalidade através de pensamentos e ideias, então devemos examinar isto em mais detalhe. E é aqui que se pode fazer uma ponte para os problemas que mencionei acima, quando disse que: "O ponto de dificuldade é a visão geral que pensamentos, ideias, conceito e razão são uma forma valida e correcta de representar a realidade e experiência humana. Como resultado, tudo o que não se enquadra no modelo normal aceite da realidade, que é em si baseado em ideias e pensamentos acerca da realidade, não é aceite como válido. "

Uma investigação em detalhe da natureza da realidade usando análise filosófica  não é a intenção principal deste texto, e já foi feito de forma exaustiva ao longo da historia. Não vou então entrar nos meandros dessa análise. O interesse aqui é estabelecer e demonstrar uma ligação que é talvez elusiva e subtil entre o facto que o mundo exterior e material não se consegue demonstrar ou estabelecer de um ponto de vista analítico e conceptual, e como isso se relaciona com o caminho espiritual.

Se o leitor tem interesse em explorar esta investigação de forma mais detalhada existem muitas fontes para consultar. Recomendo em particular o discurso dialéctico da filosofia Madhyamika, e em particular a ferramenta de análise chamada "A linha de análise do coche em sete partes" (The sevenfold reasoning of the chariot). No entanto métodos semelhantes encontram-se em outras tradições, como o método mais simples e puramente soteriológico de 'neti-neti' de Advaita Vedanta, e também em algumas formas de filosofia Helenística (como o Pirronismo) e outras.

No contexto desta exploração, vou no entanto usar um exemplo simplista, mas talvez não muito simples, para ilustrar uma linha de análise. 
Relembro que estamos agora explorar o primeiro ponto mencionado acima, que é a visão de que a realidade pode ser compreendida, e representada através de ideias, pensamentos e conceitos, e que essas ideias representam a verdade ultima.

O ponto que vou tentar estabelecer é o seguinte: A realidade não se pode encontrar, ou definir através de análise mental ou pensamento. Mas no entanto isto não significa que não 'existe' nada. 

Vamos então olhar para um exemplo simples. Qual é a diferença entre uma cadeira de madeira e uma cadeira de metal? "Uma é feita de madeira, e a outra de metal", vais responder. Qual é a diferença entre madeira e metal? Será que podemos encontrar uma coisa ou essência que faz uma coisa ser metal e a outra ser madeira? Se analisamos em detalhe, vamos concluir que não. Podemos dizer por exemplo que se encontra um padrão diferente de moléculas e partículas. No entanto não conseguimos encontrar uma coisa ou essência lá no objecto que torna um madeira e o outro metal. O universo aparente manifesta-se num fluxo constante,  feito de interligações e nunca está fixo por um momento. Da mesma forma podemos até vir a concluir que na cadeira não se encontra nenhuma cadeira. Não conseguimos encontrar uma 'cadeiressa' da cadeira, que a estabelece como tal de forma ultima e absoluta. Existem cadeiras de quatro pernas, cadeiras podem ter uma base sólida sem pernas, podem ter três pernas,  podem ter encosto alto e baixo, e terem formas diferentes, e posso sentar-me numa rocha e a rocha não é uma cadeira. Se examinamos a fundo, vamos concluir que para além do conceito de cadeira, da 'etiqueta' que colocamos em algo, não se encontra uma entidade que possua 'cadeiressa' e como tal é objectivamente e absolutamente, uma cadeira. Da mesma forma como expliquei acima, não encontramos algo concreto e objectivo como essência da madeira ou metal, ou seja também não existe algo objectivo que é a  'madeiressa' da madeira. Para além de uma etiqueta e conceito não se encontra madeira na madeira. Isto não se aplica somente ao mundo material, mas podemos aplicar também á própria pessoa. 
Neste ponto poderia alguém dizer que estamos a ir na direcção de uma visão de idealismo subjectivo, onde se diz que tudo é mente e pensamentos e não existe mundo material. No entanto não é para ai que estamos a ir, este é apenas o primeiro passo.
Até aqui nesta linha de análise, eu tentei ilustrar que não se consegue encontrar essência objectiva em nenhuma coisa
Para o próximo passo, vou usar um exemplo clássico: Um homem entra num quarto mal iluminado onde se encontra, num canto, uma corda enrolada. O homem ao olhar vê uma serpente no canto. No momento de olhar, para ele como sendo o sujeito a aperceber o objecto, a sua percepção é a de uma serpente. Devido a uma serie de condições, em vez de ver a corda, vê uma serpente. 
Voltamos agora então ao exemplo acima, quando olhamos para uma cadeira, e dizemos que estamos a ver uma cadeira de madeira - Como na análise que ilustrei brevemente antes, concluímos que não existe ali nada de objectivo e autónomo que seja cadeira ou madeira. Então de facto, quando dizemos que estamos a ver uma cadeira de madeira, é a mesma situação do homem que vê a serpente em vez da corda como na metáfora anterior. 
No entanto isto não significa que não existe nada (niilismo), pois claramente podemos sentar na cadeira e estamos aqui, e também não significa que tudo é simplesmente pensamentos (idealismo subjectivo), porque até a ideia de 'coisas' que são 'pensamentos' é também mais um conceito!

No entanto, porque parece tentador cair numa posição niilista neste momento, eu quero chamar a atenção que algo, seja o que for, está ai sentado, a ler este texto, a respirar etc. A pensar "Este é um texto interessante", ou "Este é um texto estúpido, estou a perder o meu tempo, era melhor ir beber uma cerveja". Então é melhor deixar a ideia de que não existe nada, porque isso é também apenas mais um conceito. 

Neste ponto da nossa análise a questão que vem agora é: "E há uma corda?". Se consideramos a questão da corda (da metáfora acima), então o seu estado ontológico, a natureza da sua existência, claramente está para além de qualquer ideia ou conceito. Por outro lado, se não existe a corda, qual a base para a percepção da serpente?

Agora alguém a assumir uma posição materialista poderia dizer: "a consciência, a mente em si, incluindo os pensamento, são apenas um produto do mundo material, igual nessa forma a qualquer outro fenómeno".  Mas esta posição não é solida, porque somente através desta mente e consciência podemos falar de um mundo visível. O chamado de mundo exterior não pode ser apercebido de outra forma, somente através da mente. Então dizer que o mundo tem o mesmo estatuto que a consciência, em que ambos são fenómenos manifestos nesse mundo exterior,  levanta um problema sério. Isto pode ser ilustrado pelo exemplo de alguém que está dentro de uma casa durante o dia, e que ao olhar por uma janela, diz que está escuro lá fora, quando simplesmente a janela está coberta de pó.

Devido ao facto que não podemos falar de um mundo exterior independentemente da consciência que o apercebe, dizer que ambos tem o mesmo estatuto é uma asserção que não pode ser demonstrada e é ilógica.


De qualquer forma, poderíamos até referir agora a observações da própria ciência, como por exemplo a experiência da dupla-fenda e o efeito-observador, onde se torna claro que não podemos separar o mundo aparente exterior da consciência e mente como existindo independentemente um do outro. 
De forma simples: não se pode falar de um mundo exterior que existe por si, independente da consciência que o apercebe.



Para finalizar, se investigamos de forma exaustiva e imparcial, vamos concluir que nada se pode dizer acerca de nenhum fenómeno como sendo objectivamente verdade. Conceitos e ideias são interpretações de uma percepção da realidade, como no exemplo da corda e da serpente. Não podemos dizer que a cadeira existe objectivamente e independentemente, mas ao mesmo tempo não a podemos negar. O estatuto ontológico dos fenómenos, e indivíduos, não pode ser determinado objectivamente para além de um conceito temporário e fugaz. 
  Então voltando ao ponto inicial que levou a esta análise, conceitos e ideias não podem ser uma representação valida e absoluta da realidade. 

Chegamos aqui então ao segundo ponto: se existe algo para ser conhecido acerca da realidade, que podemos chamar a condição da realidade absoluta, ou por outros nomes: A verdade absoluta, Deus, Brahma, o Absoluto, etc... ou seja, se queremos descobrir a 'corda', certamente será algo que está fora da esfera objectiva do pensamento e conceito. 

Mas o que significa para além do pensamento?

Não é difícil entender o significado e importância! Vou ilustrar com um exemplo: A ideia do sabor do morango, não é o mesmo que o sabor do morango. Neste caso, para saber essa realidade, ou a natureza ultima do Ser e consciência, é necessário saber directamente, uma forma de cognição-directa-não-conceptual, ou seja, saborear directamente. 
Somente tal cognição de algo pode ser qualificado como saber. Podemos ler muitos livros sobre morangos, conversar com outros sobre morangos e ter muitas ideias sobre o sabor do morango, mas até existir contacto de um morango com a língua, a cognição directa do sabor, não se pode dizer que se sabe o sabor do morango. Por isso tantos têm dito ao longo da historia que pensamentos e ideias não são uma representação válida da realidade. 

Então resumindo, se fazemos uma análise detalhada da natureza da realidade e consciência, da mente e fenómenos, chegamos á conclusão que ambos são impossíveis de estabelecer conceptualmente. Mas se compreendemos o segundo ponto, em relação á diferença entre uma ideia e cognição directa, podemos entender um pouco a diferença entre pensamentos, conceitos e cognição-directa-não-conceptual. 

Se queremos tentar descobrir uma realidade ultima, certamente que deverá ser através de cognição-directa-não-conceptual.

Onde estamos?

Comecei esta exploração com a observação que uma das razões porque é difícil uma busca espiritual genuína, é devido á visão incorrecta de que o mundo e a realidade podem ser compreendidos objectivamente através de pensamentos e conceitos. A ciência é muito eficaz a trabalhar com conceitos e ideias, e a definir um paradigma da realidade  baseado em conceitos, mas não é util para olhar para a consciência humana e o reino do espiritual. Por outro lado, muitas pessoas que tentam abordar o reino do espiritual e da descoberta da natureza ultima da consciência e do Ser, mas que o fazem do ponto de vista limitado de regras e tradição doutrinal, colocando tradição e conceitos religiosos acima de experiência directa, permanecem limitados também. Depois olhei para as duas formas como a realidade pode ser 'conhecida': através de conceitos, ou para além de conceitos. Neste ponto estabeleci então que uma realidade ultima, seja o que for, não pode ser conhecida através de conceitos e pensamentos. Conclui então com a observação que todos os modelos de interpretação da realidade, seja cientifico ou religioso, são todos iguais em que nenhum pode representar a realidade ultima. No entanto podemos observar que no mundo convencional cada modelo tem a sua função e utilidade. Vamos agora então explorar o aspecto da descoberta espiritual mais concretamente.


O Praticante Espiritual

No inicio fiz a asserção que existe uma natureza espiritual em todos os seres humanos. Quero dizer com praticante espiritual, aquele que se envolve activamente com esta natureza espiritual, e na busca de uma experiência directa da verdade ultima.  Mas que verdade? Não é aqui a mesma verdade que as ciências naturais buscam, pois essas estão interessadas em definir um mundo concreto e conceptual. O praticante espiritual busca a resposta para as perguntas: "Quem sou? Porque estou aqui? O que é Deus? Qual a natureza ultima da realidade?" Fundamentalmente o praticante espiritual é movido pela motivação  de ter um saber  directo e experiencial, e manifestar continuamente a dimensão espiritual como força que impulsiona todos os aspectos da vida.


O Caminho e o Praticante


A natureza do praticante espiritual é a busca implacável pela natureza ultima do Ser e da realidade. Usando todos os meios á sua disposição e não aceitando nenhuma limitação imposta por conceitos.
Aqui é o ponto onde chegamos ao problema fundamental. A pergunta agora seria: Mesmo que aceite tudo o que foi dito até aqui, da mesma forma que uma faca não consegue cortar a sua própria lâmina, como pode então esta mente, através da qual toda a percepção acontece, ilusória ou não, ter  uma cognição directa da realidade ultima, se isso é algo para além do pensamento? 
Neste ponto é inútil entrar em mais análises filosóficas, porque por mais que se analise, como vimos anteriormente, vamos inevitavelmente chegar a um ponto onde pensamento não consegue alcançar. Então chegamos ao verdadeiro problema. 
E é aqui exactamente que a fronteira entre filosofia e misticismo, entre filosofia e autentica espiritualidade, se encontra. 
 O praticante espiritual não fica satisfeito com filosofia, com ideias, e é movido por uma força interior, que vem de uma convicção profunda que de facto é possível ter essa experiência directa. É aqui também que a diferença entre dogma, e uma confiança saudável que pode ser também denominada de fé, se torna aparente. Dogma é um aceitar de algo que não pode ser questionado, ou até experienciado. Fé por outro lado, é uma forma de confiança, uma convicção que é suficientemente forte para justificar uma exploração genuína. Mas o praticante deve prestar atenção para que fé não se torne em dogma, porque se isso acontece automaticamente a busca é interrompida. Fé implica que não existe ainda um conhecimento e saber directo, então a fé guia e impulsiona a busca. Quando experiência directa se manifesta, como  experiência mística, fé começa naturalmente a dar lugar a saber.  Quando fé se torna numa crença, então o praticante torna-se numa pessoa de doutrina, uma pessoa religiosa, limitada pelos muitos aspectos de tradição, e deixa de ser um praticante espiritual em busca da verdade. A verdade ficou fixa num conceito.

O aspecto principal aqui no entanto é que sem uma experiência directa da realidade, do Ser, filosofia não é suficiente. A ciências naturais, como já foi mencionado, fazem um bom trabalho em observar o mundo aparente e material relativo, mas no que diz respeito a aspectos relacionados com compreender "o que eu sou", deixam um sabor amargo. E é então nesta situação que mesmo com grandes avanços tecnológicos o ser humano permanece confuso e perdido, incapaz de responder as perguntas mais básicas acerca da natureza do Ser e da consciência, do que é felicidade e sofrimento etc.



Tradições espirituais como paradigmas de transição?

No entanto, e na pratica, para ir de uma percepção convencional do mundo para uma experiência mística directa do absoluto, não é algo trivial, e parece ser algo muito distante.

O que vou tentar agora mostrar é o seguinte:
Todas as tradições espirituais genuínas são paradigmas de transição. No seu aspecto relativo, são somente 'historias', mas são historias com uma função soteriológica, e como tal não são historias normais. Poderíamos até dizer que são historias divinas. 

É necessário agora introduzir o seguinte: Qualquer modelo filosófico ou espiritual tem de ter uma função e 'capacidade' soteriologica, se não o tiver é inútil, e pouco mais do que uma historia comum. Uma alegoria muito util neste momento, é a famosa alegoria da caverna de Platão. De forma muito breve, na alegoria Platão descreve pessoas que vivem aprisionadas numa caverna, amarradas e forçadas a olhar para uma parede. As pessoas vêm sombras na parede, que são projectadas por objectos que se movem lá fora. Estas sombras são a única realidade que conhecem, e dão nomes ás sombras. Sons vêm do exterior e ecoam na caverna, parecendo que são emitidos pelas sombras. Se algum deles se libertasse das amarras e saísse da caverna, ele iria ver o Sol e compreender o que se estava a passar. Platão continua falando sobre o que iria acontecer quando este que tinha saído, voltava para a caverna para dizer aos outros a verdade da situação.
 Esta alegoria é uma boa representação dos princípios que tenho estado a tentar apresentar, mas não parece apresentar uma função soteriológica? Na realidade quando Platão descreve o retorno daquele que tinha visto o sol, para informar os outros acerca da situação, está a introduzir uma base soteriológica. 
Olhando de outra forma: Como só podemos comunicar através de linguagem e símbolos, que são em si ideias, um salto directo to mundo relativo de conceitos e ideias (o mundo das sombras) para a cognição directa do absoluto (o sol) é pouco provável. Então uma ponte feita de linguagem e ideias é necessária. O mundo relativo é apreendido como uma interpretação baseada num paradigma pessoal. Uma tradição espiritual genuína introduz um outro paradigma, que embora também feito de ideias, não é em si a verdade ultima, mas fornece a função de ser essa ponte, porque tem capacidade soteriológica. Para que qualquer paradigma espiritual tenha essa função de ponte tem de ter origem numa cognição directa do absoluto - ou seja a experiência directa do sol seguido do retorno á caverna que é descrita na alegoria de Platão. É então esta a forma de definir um paradigma, ou tradição espiritual, genuína. É genuína se tem origem na cognição directa do absoluto, e não em especulação intelectual. 

É também esta a razão porque em varias tradições espirituais genuínas, existe uma grande ênfase na transmissão directa de guia espiritual para aspirante, diversas formas de iniciação espiritual,  métodos de introdução etc. Observa-se hoje no mundo espiritual ocidental uma visão crescente que pensa que é possível fazer o caminho somente pela sua própria mente, lendo livros, pensando sobre, discutindo opiniões sobre o assunto, seguindo as suas ideias acerca do caminho espiritual, e que é possível atingir experiência directa dessa forma. 
Pensando que é possível aprender um caminho espiritual como que se fosse simplesmente informação, como um curso que se pode tirar, sem ter a ligação a um guia que tenha experiência directa. Podemos aqui voltar a usar o exemplo da faca que não consegue cortar a sua própria lâmina.  Se a pessoa só  conhece 'mente', e através de 'mente' e das suas ideias, e se a realidade só pode ser apercebida através de cognição directa, como se faz este salto? É este circulo vicioso que é quebrado por esse principio de transmissão, iniciação etc.

No que diz respeito a este principio de 'transmissão' e o que significa exactamente, varia bastante de tradição para tradição, e manifesta-se de formas variadas. No entanto pode ser resumido por esta citação de Bodhidharma, o fundador de Zen: "Uma transmissão especial que está fora dos livros. Não baseada em palavras ou letras. Apontando directamente para a natureza ultima da mente, é possível ver directamente o absoluto"
Ou como o grande místico, frade cristão dominicano do século XIII, meister Eckhart disse: "Somente a mão que apaga pode escrever a verdade".

 Quero então dizer que todas as tradições espirituais genuínas, no que diz respeito a doutrina, ou á historia que contam, são todas iguais no sentido que nenhuma das historias é a verdade ultima, mas apenas uma interpretação. No entanto, têm uma função soteriológica e estabelecem a ponte para uma experiência directa.

Poderia agora o leitor perguntar,  "Mas como saber o que é genuíno ou não deste ponto de vista?" Certamente se o caminho espiritual tiver tido origem em alguém que teve a cognição-directa-não-conceptual do absoluto, então é condição suficiente. Como o Platão descreve na alegoria, aquele que saiu da caverna e viu o sol. No entanto esta condição é difícil  de examinar e mais difícil ainda de verificar, especialmente se esse alguém viveu á muito tempo atrás e não pode ser consultado sobre o assunto. Existe no entanto outra forma, que é examinando o caminho espiritual em si. Podemos observar se o caminho espiritual em questão oferece um ensinamento (uma visão), um método (caminho) e um resultado. Podemos examinar se é possível aprender e aplicar, e através dessa aplicação obter um resultado, uma experiência directa ou não? 

Quando se examina um determinado caminho espiritual, devemos ver que:
- Não deve ser especulação filosófica, mas deve oferecer um paradigma significativo e representativo da realidade, relativa e ultima, juntamente com uma base soteriológica clara.
- Deve ser possível de verificar através de pratica e ter resultado como experiência directa
- Deve ser possível ter experiência directa aqui e agora (e não somente numa existência futura)
- Não discriminatório, todos são iguais no que diz respeito ao potencial para aplicar e obter o resultado.

 Numa analise mais directa, de um ponto de vista soteriológico, podemos dizer que o caminho deve ser livre de todo o tipo de projecções emocionais e cognitivas, e como resultado é libertador de todas as limitações emocionais e cognitivas. A sua essência deve ser inconcebível, ou seria apenas especulação filosófica. A sua essência deve também ser uma paz total, o fim de todas a especulações e projecções sobre a realidade. Deve cortar toda a especulação e levar para uma experiência cognitiva directa.

 Quero então concluir dizendo que, existe quem rejeite tudo o que é espiritual e religioso com o argumento que não é necessário pois não oferece nada importante a mais do que princípios éticos e de moralidade, algo que se pode obter também com princípios humanistas, como princípios de amor, bondade, generosidade, compaixão etc. 
Dizem também que as pessoas gostam de religião porque pacifica a sua ansiedade acerca da vida e do desconhecido. Esta posição infelizmente é parcialmente justificada, pois como mencionei acima, encontramos nos quadrantes  da norma religiosa na sua forma mais legalista, as pessoas já não procuram a verdade, mas aceitam doutrina. E quem aceita, por definição, já não procura. Por outro lado, essa posição ignora a riqueza de experiência, a expressão e influência majestica dos grandes místicos e mestres espirituais do passado e presente, de várias tradições espirituais,  e as suas contribuições para o mundo. Finalmente, essa posição não convence porque a busca do Ser espiritual vai bem para além de qualquer conjunto de regras de moralidade, que embora importantes, não respondem á pergunta fundamental: "O que Eu Sou?"

Consciência e cognição-directa são auto-provadas e é impossível de provar algo fora da mente, porque como vimos antes, fora é só perceptível através da própria consciência. Então da mesma forma que é impossível oferecer comprovativo da doçura do açúcar a alguém que se recusa a prova-lo, para quem depois de tudo isto se mantém com: "Mas onde está a prova de tudo isto?", e permanece desinteressado em procurar e explorar, as sombras da caverna permanecem como o fluxo constante da realidade. 



Comecei por explorar a natureza espiritual do Homem, e o aparente conflito entre ciência e religião, e entre diferentes religiões. Tentei mostrar que de facto, ciência e toda a doutrina espiritual, são paradigmas para interpretar uma realidade misteriosa e impossível de conceptualizar. Espero também ter clarificado a natureza do praticante espiritual, o caminho e o seu objectivo ultimo. Não é necessário existir conflito entre nenhum destes grupos, pois cada um serve uma função relativa, e do ponto de vista absoluto são iguais em que nenhum é em si a verdade ultima.  

Amor é a expressão natural e ininterrupta do facto que no Absoluto não existe 'Eu' e 'Outro'. Nisto se encontra a união de toda a espiritualidade. Se, como seres humanos, perdemos o sentido de admiração, de inspiração do divino, e o sentido que a verdadeira felicidade vem das profundezas do Ser e do infinito, e que isso em si é uma experiência espiritual, então perdemo-nos mais e mais numa existência fria e mecânica, vazia de amor genuíno e aberto. E nesse caso, cada vez mais a sentir uma crescente separação, isolados na torre da mente-pensante. 


"Estar cheio de coisas é estar vazio de Deus. Estar vazio de coisas é estar cheio de Deus. "
Meister Eckhart


Com Amor
Aja Das

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